Ser transparente

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    Ser Transparente

    Uma das coisas mais importantes para o crescimento espiritual de uma pessoa é dizer o que se sente. É algo maravilhoso e no entanto, raro. Poucas pessoas têm a coragem de expressar seus sentimentos de forma clara por medo do ridículo ou de prejudicar o outro. Se cada vez mais pessoas fossem honestas e transparentes expressando suas emoções e sentimentos, o mundo seria bem melhor!

    Se mais pessoas demostrassem os sentimentos, bons ou ruins, os relacionamentos seriam mais vivos e verdadeiros, as pessoas mais livres e felizes, nao haveria tantas amizades por interesse, nem tantos casamentos arranjados, nem acomodação das pessoas em situações que as desagradam.

    Todos cutucariam as suas feridas antes que se aprofundassem, quando ainda estivessem rasas e fáceis de curar. E com isso, não acumulariam tantos traumas, tantas frustrações, tantas dores que tornam a vida anestesiada e infeliz.

    As pessoas mais transparentes tornariam o mundo mais fluido, a energia mais instável, mas a evolução seria mais dinâmica, o mal não conseguiria se enraizar na energia densa mais próxima da matéria.

    E as raízes do bem estão naturalmente diluidas na energia mais volátil, a energia do bem está mais no alto, mais próxima de Deus e do Amor, portanto mais quintessenciada, nao sendo possível prendê-la. Assim, pessoas mais honestas com seus sentimentos conseguem facilmente alcançar esta energia do bem e permanecer nela.

    As pessoas que se aprisionam em crenças e principios distorcidos, que reprimem suas emoções e sentimentos, que se enraizam nas coisas da matéria, que é a forma mais densa de energia, ficam cada vez mais afastadas do bem, do amor, da verdadeira generosidade, que nada tem a ver com a “caridade” pregada por tantos.

    A verdadeira caridade está em procurar aproximar a si mesmo e ao próximo da evolução, da Lei Divina do Amor, nessa escola maravilhosa que é o Planeta Terra, um laboratorio para o espírito. A passagem pela vida na matéria é uma maneira de aprendermos a compreender e valorizar a perfeição das leis do universo e da criação.

    Começamos a jornada como no Mito da Caverna de Platão, desprovidos da luz, na escuridão das sombras da ignorância, passamos pelo instinto, pelos sentidos, pelo ego, buscando recuperar a centelha de luz que permaneceu em nossas almas pequeninas.

    Essa busca pela luz é também a busca pelo amor universal, mas ficamos paralisados no ego, acreditando que por meio dos desejos, alcançaremos o Amor. Ledo engano! Enfim, percebermos que a satisfação dos desejos do ego não nos preenche com o amor, mas com substitutos fajutos de amor, tais como o poder, a beleza, a fama, o dinheiro, a luxúria.

    No auge do ego, sofremos uma brusca queda, como aquela de Alexandre, o Grande ,após conquistar mundos e fundos e perceber que não estava feliz! Assim, o auge do ego é também o início de sua queda, o que nos coloca em profunda depressão. Só então buscamos a interiorização, a meditação, o contato com nosso ser mais íntimo e encontramos novamente aquela centelha de luz que nos liga à Deus e ao Amor.

    Nesse ponto, começa a iniciação espiritual, um longo caminho que nos faz, como filhos pródigos, retornar ao Pai, ao Centro do Universo, cada vez mais iluminados.

    Mas é um longo percurso e é preciso muita, mas muita coragem para se adentrar neste caminho, morro acima, que é o caminho da transcendência, oposto ao do ego, morro abaixo, o caminho da decadência.

    Quando por fim nos firmamos no caminho do Amor Verdadeiro, apesar dos sofrimentos para nos desvencilharmos do ego, todas as bençãos do Universo se derramam sobre nós, eis o verdadeiro segredo não revelado pelo Livro dos Segredos!

    Somente quando estamos em sintonia com a Lei Divina do Amor, procurando compreendê-le e aplicá-la diariamente em nossas vidas, é que o Universo passa a conspirar a nosso favor, porque afinal, seguindo este caminho da Verdade, estamos também conspirando a favor do Universo e de todos os seres que dele fazem parte!

    Referências

    1. Platão. A república. Livro VII. Disponível em: http://www.portalfil.ufsc.br/republica.pdf. Acesso em: 28-nov-2010.
    2. LAÉRCIO, Diógenes. Vidas dos Filósofos Ilustres. Ed. bilingue. Cambridge, Loeb Classical
      Library, 1989.
    Platão. A república. Livro VII. Disponível em: http://www.portalfil.ufsc.br/republica.pdf. Acesso em: 28-nov-2010.

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